terça-feira, 21 de julho de 2009

CALENDÁRIO


Para que computar
os segundos vividos
se na essência do tempo
não há ouvidos ao lameto
do tempo perdido?

O arcano do tempo
mantém-se escondido
no Tempo da vida.
O que foi ou será
a todo o instante se dá!...

O momento vivido
é energia latente,
sem passado ou futuro
toda a Lei é o presente.




(IGdeOL)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

NOITE DE SOLIDÃO

Leva-me a solidão
à praça do centro
onde o murmúrio do vento
sopra o lamento do poema desleixo.

Bancos quebrados,
lixo acumulado
mendigo acossado
cães famintos
marmita de restos
caridosa oferta
opulento vizinho
mansão da esquina.

Desleixo da praça,
cães que acossam
famélico pedinte
nobre ação
caridoso vizinho.

Desnudo a solidão das coisas
e volto a viver na companhia da minha própria incúria

segunda-feira, 8 de junho de 2009

CASA DA LUZ VERMELHA

(IGdeOL)

E as estrelas,
As estrelas da noite
No descanso do ocaso
São sinais no caminho
Que o mundo destina
A quem no escuro
Procura apressado
Por um sinal de vida.

É na fonte da luz
Cor vermelha das paixões
Da emoção sem razão
Que se descobre
Por um instante
Na nudez da noite
O sonho da vida
Ou a ilusão perdida
No seio da amante.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

FELICIDADE

Pés descalços deslizam suaves
Sobre a areia quente de fulgente sol
Que abrilhanta à tarde...

Eles me conduzem na sagrada orla
Despido do vício, da maldade humana,
Sou leve pluma que na areia oscila
E que na água flutua como branca espuma...

Fito ao longe o horizonte liso
E vejo a vida com sentido juízo!

Percebo então que o esconderijo dela,
Busca constante de todo ser vivente,
Está em nós, em simples atos,
Delícia plena que nos encanta a mente!
(IGdeOL)

terça-feira, 5 de maio de 2009

MENTE EM EVOLUÇÃO




Adiciono na betoneira alguns elementos:
Água, pedras, areia, cimento e cal.
Alegrias, tristezas, dores e felicidades,
Saudades também, muitas saudades,
E assim vou criando poemas concretos e abstratos,
Retratos do meu pensamento.

(IGdeOL)

quarta-feira, 4 de março de 2009

FILOSOFIA DE PEÃO



Antecipado ao Dia da Mulher


(IGdeOL)

Nos galpões da minha terra
Nos saraus e nos serões
Tal uma sentida prece
A cultura se aquece
Ao derredor dos fogões...

Os peões lembram façanhas
Das rudes lides do dia
Nas tarefas da fazenda
Alguém dedilha uma viola
E num canto um moço chora
O desprezo de uma prenda...

E um trovador sessentão
Na mais paciente paciência
Curtido na experiência
Ao longo da existência
De desprezos e paixões
Fala a sós com seus botões:

- Mulher é como a madeira
Que nutre uma grande chama
No coração de quem ama
Com amor sincero e terno,
Mas o desdém sempiterno
De qualquer forma que venha
É fogo da mesma lenha
Que alimenta o inferno.

Parece que o Creador,
Aos nos retirar a costela
Para forma a donzela
Companheira de jornada
Criava uma lei alada
Nos atropelos da vida:
Não seja ela compreendida,
Simplesmente seja amada!...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

OUTRO CARNAVAL

Neste carnaval derradeiro
investirei nas folias de Momo
para soltar o meu eu verdadeiro.

Uma máscara cobre minha face
disfarce do que não sou
coragem para fazer o que sou.

Apanágio dos meus longos dias
quando lúcido e responsável
escondo a volúpia dos meus desejos,
medo da notável discriminação
concebida em minhas entranhas.

Prestes a uma nova façanha
aguardo mais um carnaval
ruas e salões enfeitados
foliões desatinados
pouca roupa, quase nada,
mascarados, mascaradas,
bebida, suor, algazarra,
trio elétrico, fanfarra,
sexo, loucura, miçangas,
todos a soltar a franga!

Neste carnaval derradeiro
investirei nas folias de Momo
para soltar o meu eu verdadeiro.

(IGdeOL, 2009)